Sou pobre e não uso MEL DE ENGENHO!!!

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Mel de engenho…

Nada contra o nome, mas eu uso melado mesmo.

Sou pobre e fudido, não tenho tempo de ir no engenho pedir para as abelhas tirarem seu mel…

Vou no mundial e compro um tal de melaço.

Lembro quando o Garcia & Rodrigues em seu auge, no Rio de Janeiro lançou um prato com a seguinte descrição: Queijo de Minas feito até a sua cura máxima servido com farinha ralada de mandioca e mel de engenho…

Eles inventaram o raio gourmetizador e não sabiam…

Amigos, Mel só existe um: o que abelhas.

O resto é firula de marketing.

Trabalhar com comida é coisa séria e enganar o cliente também. 

“Falar mel de engenho é induzir o consumidor à práxis do erro.”

Mel de engenho não é nada mais que MELADO DE CANA

6 comentários em “Sou pobre e não uso MEL DE ENGENHO!!!”

    1. Tarcísio, desculpa a demora na resposta.
      O nome infelizmente não está certo.
      A designação de mel para o português é somente usada para o alimento derivado das abelhas.
      Qualquer outro derivado que não seja de abelhas, ganhará outro nome que não seja mel (pois, ele somente pode ser usado para abelhas).
      O que acontece é que durante os séculos XVII e XVIII os subprodutos do açúcar eram poucos explorados, sendo estes entregues aos escravos como forma de subsistência quando o engenho não fabricava algum destilado a partir desde.
      O produto melado e melaço, nasceu com uma conotação histórica de subproduto de segunda linha e de baixo custo sendo sendo explorado principalmente pelas populações mais pobres que não tinham condições financeiras de adquirir o produto principal, o açúcar.
      O nome “MEL DE ENGENHO”, surge como fruto do marketing já na metade do século XX.
      Dessa forma o melado que era um produto de segunda linha, ganha um nome nobre “mel de engenho” e assim esse nome passou a ser caracterizado para os subprodutos secundários do açúcar.
      Eu realmente não me importo de usar melado em minhas preparações.
      Porém me importo veemente de usar o nome “mel de engenho”, pois esse não é o nome real dele.
      E mesmo se for como você mesmo diz: qual é a real diferença do mel de engenho para o melado.
      Se ambos são os mesmos produtos, não existe porque ter nomes distintos para o mesmo produto.

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      1. Aqui no ceará conhecemos como mel de engenho, que é produzido e consumido pelos agricultores, não tem nada de gourmet! kkkk Pelo contrário, muito usado pela população, inclusive mais pobre, como suplemento alimentar e para se fazer remédios “caseiros”.

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  1. É tudo mel. A própria palavra melaço se inicia com “mel”. No fim das contas tudo é mel pois são substâncias viscosas e açucaradas. Essa é a ideia deste termo. Se está de acordo com as normas culta da língua ou não, é outra história. Se incomodar porque as outras pessoas chamam de mel de engenho é muita falta do que fazer.

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    1. Thai, lindo mas infelizmente não funciona dessa forma. Ao falar assim, você está colocando regras gramaticais em processos sociológicos e antropológicos nos quais a sua interpretação não deu margem para tal.
      E infelizmente é assim que ocorre.
      Mel de engenho, conforme eu disse acima em outro comentário é usado para super valorizar um produto que já tem nome e sobrenome, que se chama “melado”.
      E, o termo é usado pura e simplesmente para enaltecer as preparações de pratos gastronômicos de restaurantes mais caros que não gostam de colocar a palavra melado em seu cardápio. Afinal, o nome mel de engenho é infinitamente mais nobre que o seu alcunha.

      Agora, sem pegar o português como base mas sim a legislação da ANVISA. MEL É UNICAMENTE E PURAMENTE UMA SUBSTÂNCIA PRODUZIDA, POR MEIO DO EXUDADO DAS ABELHAS. Desse modo, se Mel é um produto no qual sua origem é da produção das abelhas, eu NÃO posso pegar essa nomeclatura e “sair tacando” em outras determinações como por exemplo o “mel de engenho, POIS SOCIOLOGIA CHAMAMOS ISSO DE APROPRIAÇÃO DA PALAVRA. E, isso está errado.
      Para finalizar, não é mi, mi, mi. Isso é um assunto sério e estuar os movimentos sociológicos que estão por trás dessa pequena “apropriação” é fundamental para fazer outras análises maiores e mais impactantes na gastronomia Brasileia como a utilização do angu (produto de escravo) e da polenta (produto de origem italiana feito por imigrantes).
      É por isso que não podemos pensar linearmente quando falamos sobre gastronomia e alimentação, pois falar sobre o assunto obrigatoriamente teremos a inserção da sociologia e da antropologia se entrelaçando e formando “significados”

      Caso ainda queira se aprofundar mais no assunto sugiro a leitura dois livros: ” A história da alimentação no Brasil” e “Prelúdio da Cachaça”
      Ambos mostram muito bem como a antropologia é fundamental para a construção dos nomes na gastronomia brasileira .

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