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A apropriação de nosso paladar pela indústria

 

As grandes empresas em geral, por meio de diversas ferramentas gerenciais, sobretudo as de marketing e engenharia de produção, coloca-se no mercado como competente especialista na produção de determinado bem para fins específicos e, então, procura levar cada vez mais clientes a comprarem seus produtos.

À medida que a empresa ganha espaço no mercado, novas possibilidades devem ser criadas a fim de possuir sempre fluxos contínuos no aumento das vendas e, portanto, garantir a obtenção de maiores lucros. Ou seja, possui sempre como meta: “fazer novos clientes e influenciar consumidores”.

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A indústria de alimentos, em particular, observando sempre a presente fragilidade dos Resultado de imagem para marketing em alimentosconsumidores, criou o mote do “Eu mereço!”, onde procura incutir no consumidor a ideia de que ele se acha, por direito e mérito, merecedor das facilidades oferecidas por produtos altamente industrializados, com a seguinte propositiva: ao consumir esse produto, estarei ganhando algum benefício.

Confira o artigo na integra:

A APROPRIAÇÃO DE NOSSO PALADAR PELA INDUSTRIA

Rio terá Comissão de Gastronomia

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A Secretaria de Estado de Cultura (SEC), por meio da  Superintendência de Economia Criativa e da Incubadora Rio Criativo está com edital aberto para a instituição da primeira Comissão de Gastronomia do Estado do Rio de Janeiro. Até o dia 19 de julho serão aceitas inscrições para candidatos e eleitores para o processo de eleição online. Serão eleitos 20 representantes da sociedade civil que atuam no campo da alimentação e cultura. O público poderá participar como eleitor, apoiando a candidatura de 10 diferentes segmentos, entre os quais, entidades que atuam com o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA); movimento da sociedade civil que atue com Gastronomia, Comunidade Tradicional e organização do movimento de mulheres.

Para se candidatar a uma das representações, basta informar os dados do titular e suplente, anexar uma foto de cada membro, uma breve justificativa. Já os eleitores, basta informar os dados pessoais.

 Para apoiar nossa candidatura e as demais representações, ou se inscrever como candidato, acesse https://tinyurl.com/y9gzyc25 

A publicação dos eleitores e candidatos habilitados sairá no dia 25 de julho. De 07 a 11 de agosto será o período de votação pelo site da SEC. O resultado será divulgado no dia 15 de agosto. A comissão também será composta por sete representantes do poder legislativo, uma representação do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado (Consea) e uma da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

A instituição da Comissão de Gastronomia é uma das diretrizes do Marco Referencial da Gastronomia como Cultura do Estado do Rio de Janeiro (Lei 7180/2015). A lei tem como Resultado de imagem para comissão de gastronomiaobjetivo abordar a gastronomia como uma política cultural ao dar visibilidade e fortalecer as culturas alimentares regionais, as atividades produtivas, comerciais, educacionais e  artísticas, ligadas pela relação com a comida, a sociedade e o território.

A comissão terá a incumbência de acompanhar as diretrizes da lei, conferir o selo Gastronomia é Cultura e fomentar a Semana da Gastronomia do Estado do Rio, que ocorrerá na terceira semana de setembro.

As informações completas sobre o processo de eleição do edital serão divulgadas durante o lançamento e estarão disponíveis na página da Secretaria de Cultura.

Para conhecer o Marco Referencial da Gastronomia como Cultura, acesse: https://tinyurl.com/ybhly96u

Para saber mais informações sobre o edital, confira o guia com as perguntas mais frequentes: https://goo.gl/ZM31eZ 

Somos todos OTÁRIOS!

logo-minhavidaNão é a primeira vez que o yahoo Minha Vida faz um erro boçal deste e provavelmente não será a última.

Tudo isso porque existe uma falta de empenho total e completo de fazer as reportagens com maior comprometimento com o alimento e as ciências da Nutrição.

A reportagem era sobre o Couve-flor pertencente a família das brássicas onde também estão classificadas o repolho, brócolis e a couve.

Conseguiram confundir couve flor com brócolis, INACREDITÁVEL!!!

Sem mais o que comentar,  (clique na foto para ampliar)

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Mulheres na Cozinha – Uma homenagem ao dia Internacional das Mulheres

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Hoje é o dia Internacional da Mulher. Nesse dia, faço um especial a todas as mulheres que trabalham em nossas cozinhas pelo Brasil e mundo afora.

Sempre trabalhei em cozinhas e no mundo profissional normalmente seu espaço era majoritariamente masculino. Com a explosão dos cursos de gastronomia nos últimos anos, tenho visto um número cada vez maior de mulheres que resolvem desbravar essa fatia do mercado de trabalho.

Sempre gostei de trabalhar com mulheres nas cozinhas que trabalhei e comandei.

  • mulheres dão seu toque feminino ao trabalho árduo e rústico de uma cozinha;
  • elas colocam sensibilidade em seus pratos;
  • são mais perfeccionistas nos trabalhos mais metódicos;
  • tem mais paciência para os trabalhos onde exigem maiores detalhes;
  • além de trazerem sapiência ao ar caótico que é uma cozinha.

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Claro sem fazer comparações esdruxulas que fazem do tipo: elas não carregam sacos de batatas!!!

Nem desejo que assim o façam, deixo para os homens o trabalho de ficar carregando sacos de batatas na cabeça, o trabalho feminino é mais estratégico que simplesmente carregar sacos de batatas.

Apesar de ainda ver muito pré-conceito de mulheres trabalhando na cozinha, vejo cada dia que passa uma expressividade maior delas.

Desejo que continuem sempre assim: belas, pacientes, metódicas, sapientes e trazendo luz as nossas sombrias cozinhas.

Feliz dia Internacional das Mulheres!!!

Conheça oito alimentos que podem aumentar o risco de câncer

Reportagem tirada do site yahoo, finalmente uma matéria que NÃO É PERDA DE TEMPO por completo. A matéria feita com o Nutricionista Fábio Gome do INCA está muito bem centrada nos alimentos que quando consumimos em demasia e sem controle.

Claro que muita coisa se ingerida em excesso promove o câncer. Devemos sempre usar o bom senso em nossa alimentação. O melhor dos mundos é sempre manter uma atividade física moderada associada com uma alimentação saudável.
Alguns alimentos realmente são grandes vilões e não consigo entender porque vejo tanta receitas DITAS COMO SAUDÁVEIS com eles como por exemplo os embutidos.

Para mim embutido é embutido e jamais será saudável mesmo o blanquet de peru light da sadia.

blanquet

Outros como carnes grelhadas coccionadas em altas temperaturas, acredito que mesclando-as ao longo de nossas vidas, não acarretaremos grandes problemas. Assim como ele comenta no tópico 7 sobre cocções em altas temperaturas eu diria que as carnes preparadas no char broiler (como a imagem abaixo), seriam um dos maiores problemas, pois o equipamento adquire altíssimas temperaturas para grelhar carnes. Mas como falei: parcimônia na alimentação acima de tudo!

De um modo geral a reportagem é muito boa e dissemina a cultura do alimentar de forma mais saudável.

Um abraço a todos e uma ótima Sexta Feira.


SEGUE A MATÉRIA

1 – Carnes processadas

salsichaLinguiça, salsicha, bacon e até o peito de peru contêm quantidades consideráveis de nitritos e nitratos. Essas substâncias, em contato com o estômago, viram nitrosaminas, substâncias consideradas mutagênicas, capazes de promover mutação do material genético.

“A multiplicação celular passa a ser desordenada devido ao dano causado ao material genético da célula. Esse processo leva à formação de tumores, principalmente do trato gastrointestinal”, explica Fábio Gomes.

A recomendação do especialista é evitar esses alimentos, que não contribuem em nada com a saúde.


2 – Refrigerantes

A bebida gaseificada, além de conter muito sal em forma de sódio, possui adoçantes associados aorefrigerante-1 aparecimento de câncer. O ciclamato de sódio, por exemplo, é proibido nos Estados Unidos, mas ainda é utilizado no Brasil, principalmente em refrigerantes “zero”. “Essa substância aumenta o risco de aparecimento de câncer no trato urinário”, conta Fábio Gomes.

Quanto aos adoçantes que podem ser adicionados à comida ou à bebida, o nutricionista diz que ainda não há comprovação científica. “O ideal é que o adoçante seja usado de forma equilibrada, pois é um produto destinado a pessoas com diabetes e não deve ser consumido em excesso pela população em geral”, aponta.


3 – Alimentos gordurosos

BaconFábio Gomes explica que não é exatamente a gordura a principal responsável pelo aparecimento de câncer, e sim a quantidade de calorias que ela agrega ao alimento. A comida muito gordurosa é densamente calórica, ou seja, tem mais que 225 calorias a cada 100 gramas do alimento. “Por esses alimentos geralmente serem pobres em nutrientes, é preciso ingeri-los em grandes quantidades para obter saciedade, o que leva ao superconsumo”, conta o nutricionista do INCA.

Em excesso, esses alimentos provocam obesidade, que é fator de risco para câncer de pâncreas, vesícula biliar, esôfago, mama e rins. A célula de gordura libera substâncias inflamatórias, principalmente hormônios que levam a alterações no DNA e na reprodução celular, como o estrogênio, a insulina e um chamado de fator de crescimento tumoral.


4 – Alimentos ricos em sal

“Se ingerido em quantidade maior do que cinco gramas por dia, o sal pode lesar as células que estão na parede do estômago”, explica o nutricionista Vinicius Trevisani, do Instituto do Câncer de São Paulo. Essa agressão gera alterações celulares que podem levar ao aparecimento de tumores.

Procure evitar alimentos ricos em sal ou mesmo aqueles que usam sal para aumentar o tempo de conservação, como os congelados e os comprados prontos que só precisam ser aquecidos.

Entram nessa lista: carne seca, bacalhau, refrigerantes, pizzas congeladas, iscas de frango empanadas congeladas, macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote, entre outros.

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5 – Churrascochurrasco

Na fumaça do carvão há dois componentes cancerígenos: o alcatrão e o hidrocarboneto policíclico aromático.”Ambos estão presentes na fumaça e impregnam o alimento que é preparado na churrasqueira”, explica Fábio Gomes. “Eles também possuem fatores mutagênicos que levam ao aparecimento de tumores.”


6 – Dieta pobre em fibras

O nutricionista Vinicius Trevisani explica que o intestino se beneficia muito pelo consumo adequado de fibras. Elas garantem um bom trânsito intestinal, de modo a eliminar os ácidos biliares secundários, um produto da digestão presente no intestino. Isso evita a agressão às células do intestino e a multiplicação celular descontrolada.

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7 – Preparo com altas temperaturas

Alimentos fritos ou grelhados também incorporam algumas substâncias cancerígenas. Ao colocar o alimento crucharbroiler em óleo ou chapa muito quentes (com temperatura aproximada de 300 a 400°C), são formadas aminas heterocíclicas – substâncias que contêm fatores mutagênicos e estimulam a formação de tumores.

O nutricionista Fábio recomenda preparar as carnes ensopadas – modo de cozimento em que não há nenhuma formação de aminas-, ou ainda prepará-las no forno. Dessa maneira, a temperatura do alimento aumenta gradualmente e não chega a níveis tão altos.


8 – Alimentos com agrotóxicos

Não existe uma forma eficiente de limpar frutas, verduras e legumes dos agrotóxicos. “Muitas vezes, esses conservantes são aplicados nas sementes e passam a fazer parte da composição do alimento”, aponta Fábio Gomes. Ele explica que o agrotóxico provoca vários problemas de saúde em quem tem contato direto com esses alimentos, mas ainda está em estudo a sua real contribuição com o aparecimento do câncer.

Como ainda existem dúvidas sobre esses efeitos, o nutricionista orienta evitar opções ricas em agrotóxicos. É melhor consumir alimentos cultivados sem o produto químico, que comprovadamente têm mais vitaminas, minerais e compostos quimiopreventivos. “Estes compostos atuam na proteção e reparação celular frente a uma lesão que pode gerar câncer”, afirma.

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Iogurte Greco Batavo faz propagada enganosa!!!

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Vamos tomar cuidado com esse tipo de propaganda.

No rótulo, diz que ele tem duas vezes mais proteínas que um iogurte tradicional. Porém ao olhar seu rótulo vê-se queiogurte_natural_integral ele possui a quantidade de proteínas normais para um iogurte natural por porção.

Questionem quando virem propagandas do gênero, o alimento que faz o iogurte greco é o mesmo que faz o iogurte natural da casa de vocês, a matéria prima não muda. Em suma, a não ser que eles tenham inserido proteína de alguma forma, o leite continuará sendo leite.

A porção do iogurte Greco é de 120g enquanto os iogurtes tradicionais contêm, aproximadamente, 170g.

A quantidade de proteína no Iogurte Greco indicada no rótulo é de: 7,4g por porção de 120g

A quantidade de proteína média em um iogurte natural é de: 7,0g por porção de 170g

Se fossemos fazer uma regra de três para igualar a porção, verificaremos que o iogurte greco irá ter 10,4g de proteína por 170g de porção

Em suma: um aumento de 42% aproximadamente e não 2 VEZES CONFORME INDICA O RÓTULO.

Fora que a porção de proteína do iogurte Greco se equipara ao de qualquer iogurte Natural tradicional.

Afinal: o normal é consumir apenas 1 porção por vez. Dessa Forma podemos falar que o Iogurte da Greco possui uma densidade maior, até explica a sua forma bem mais compacta e densa.

Portanto não escolham ele porque TEM MAIS PROTEÍNAS e fará melhor a sua saúde. Pois Iogurte natural, é iogurte natural e sua função FUNCIONAL não muda!!! Desde que acondicionado Adequadamente!

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Review Actifry – ARNO

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Resolvi fazer essa resenha, porque percebi a quantidade de dúvidas que os leigos possuem sobre esse equipamento.

Não é nenhuma novidade, o que esse equipamento traz. Na verdade seu método de cocção já é conhecido a muito tempo e usado em muitos fornos profissionais e industriais. É o método de cocção por indução direta de calor por actifry2meio de ar ultra quente. O nosso maior conhecido é o forno combinado, onde podemos observar uma turbina central que impulsiona jatos dar ar quente em toda a câmara onde os alimentos são produzidos.

Então qual é a grande diferença de preparar um alimento nos tradicionais métodos de indução direta por calor e na ACTIFRY?

A arno projetou uma solução muito simples para um problema que acontecia com todos os alimentos coccionados por esse tipo de equipamento. Colocando um sistema giratório para o alimento, desta forma assando por igual.

Toda vez que usava esses equipamentos de indução direta, o mesmo problema ocorria. Os alimentos ficavam com uma crosta muito dura por cima e nada por baixo. Isso acontecia pois o alimento ficava estático na câmara de cocção.

airfryerNa fritura tradicional obrigatoriamente, temos o alimento em imersão e óleo. Dessa forma todo o alimento estará sendo frito por igual. O que não acontece nesses equipamentos tradicionais de indução por ar quente, pois o alimento fica estático!!!

Outro problema que os equipamentos de cocção por ar quente possuem é que o alimento fica “entulhado” em uma cesta, dessa forma a parte de baixo nunca fica completamente “frita”

Lembrando, que o termo “frito” nesse tipo de alimento é apenas uma ANALOGIA ao método de cocção por imersão em óleo, pois quando você cocciona qualquer alimento em um equipamento de cocção por indução de ar quente, na verdade o termo correto seria “assar”

Bom, assado ou frito para mim não importa. Pois eles acertaram em cheio nesse aparelho, de modo que

o alimento chega bem próximo ao frito por imersão.

Na verdade ouso acrescentar um novo conceito em frituras:

  • os alimentos fritos por imersão em óleo;
  • os alimentos fritos sem imersão em óleo;

Como Nutricionista, percebo a dificuldade das pessoas em se desvencilharem da MALDITA E ENDEMONIADA fritura.

Desta forma, conseguimos uma preparação muito saudável e com um paladar muito próximo ao desejado na Fritura por imersão.

Bom para nossa saúde,

Maravilhoso para nosso bolso,

E contribuímos para menos poluição no meio ambiente.

Adote esta ideia!!!

Um terço dos alunos de gastronomia se desiludem com a profissão

É o que diz no site da FOLHA.COM

Achei o numero pouco expressivo, tudo bem que não tenho dados específicos sobre o assunto. Mas quando dava aula nas instituições de ensino em gastronomia, número da desilusão era imenso.

Primeiro pelo seguinte fato: as escolas de gastronomia de hoje estão focadas na formação não de um gastrônomo mas sim de um chefe de cozinha.

O aluno chega no curso crente que irá atuar em monte de lugares, visto que a gastronomia é um curso extremamente multidisciplinar. Porém ele encontra somente disciplinas e professores que lhe ensinam a dominar um fogão.

O segundo: que apesar da gastronomia se um curso muito multidisciplinar as próprias instituições as vezes não veem dessa forma e não mostram para o aluno a gama infinita de ramos que ele pode operar, alias mostra somente um: o segmento de restaurantes, basicamente sendo chefe deles.

Acredito que esse número só melhorará quando as instituições de ensino verem seus alunos da forma como o curso de gastronomia deve ser: um curso multidisciplinar

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Um pé de Que? Falará sobre o milho

Nessa quarta feira (19/02/2014), o programa Um Pé de Que? irá reprisar o episódio, onde falou sobre essa que é milho3a a planta mais cultivada no mundo.

Segue o resumo da programação:

Em 2013, o Um Pé de Quê? vai continuar falando de viajantes, sejam eles homens ou plantas. Vamos à região do Cariri, no Ceará, seguindo os passos da primeira expedição científica brasileira, capitaneada pelo médico e naturalista Francisco Freire Alemão, que tinha o objetivo de corrigir os erros dos naturalistas estrangeiros e, principalmente, mostrar ao mundo que o Brasil tinha capacidade de encabeçar pesquisas científicas. As espécies retratadas serão a UMBURANA Amburana cearensis, o ANGICO Anadenanthera colubrina e a JANAGUBA Himatanthus drasticus. E também vamos falar de plantas viajantes, que partiram de seus lugares de origem para hoje serem consideradas brasileiríssimas, como o mexicano MILHO (Zea mays) e a africana MELANCIA Citrullus lanatus.

Vale a pena assistir. Afinal é sobre comida que falamos e é sobre comida que vivemos e nada melhor que saber um pouco mais desse maravilhoso cereal que moveu e move até hoje nações.

Infelizmente em nossa atualidade as variedades de milhos estão ficando cada vez mais escassas. O que antes era uma profusão de cores e sabores, agora virou um mar de amarelo.

Segue uma resenha muito interessante sobre o milho tirada do blog E-Boca Livre de Carlos Alberto Dória

(não deixem de acessar seu site)

A comida do Setecentismo paulista

milho2Não bastaria dizer que aqui se encontrou o milho utilizado pelos tupi-guaranis e a sua adoção cumpriu o papel semelhante ao da mandioca em outros lugares. O importante é, como mostra Rafaela, compreender como o milho se constitui no principal mantimento, conquistando essa posição associado à exploração das minas, no século XVIII, e não antes, pois até o século XVII ele esteve restrito à agricultura de subsistência, sem ter valor comercial – enfim, ainda não se produzia milho predominantemente para os outros no século XVII.

Nesse particular, a autora entende que Sergio Buarque de Holanda usou informações do século XVIII e, “por conta do laconismo caracteristico da documentação seiscentista, acabou transpondo para o período anterior”. Ou seja, fez uma ilação, não uma constatação; fez história conjectural, não fatual. Para os historiadores, talvez este seja o ponto mais importante da tese de Rafaela. Não para nós, interessados no milho propriamente dito.

A centralidade do milho como mantimento do sertanismo, plantado nas rotas que levavam às minas, até mesmo por “comissões de frente” que os sertanistas mandavam ao sertão, decorre tanto da sua inserção anterior no sistema de vida dos tupi-guaranis como da rapidez e facilidade de seu cultivo. O milho, uma vez plantado no sistema de coivara, frutificava entre 3 e 6 meses, rendendo entre 80 e 400 vezes as sementes plantadas, dependendo da bondade da terra, já podendo ser consumido cru, assado ou cozido – dispensando a panificação. A mandioca, exige de 12 a 24 meses, é mais difícil de transportar mudas e de fazer farinha.

Um tempo de maturação tão curto e tamanho desempenho, com tanta simplicidade, bem explicam a adequação do milho ao sertanismo. E explicam que as referencias a este “mantimento” só comece a aparecer na documentação colonial quando ele ganha sentido econômico, indo além da “subsistência” para se converter em mercadoria, “pão de boca” para os que vão à procura das minas.

A mandioca, ao contrário, sabemos que consumia excessivo tempo até assumir formas úteis alimentares. Isso é tão relevante que o Pe. João Daniel, autor setecentista do famoso Tesouro Descoberto no máximo rio Amazonas, dedica o segundo volume da sua obra a argumentar as vantagens civilizatórias que adviriam da substituição, na Amazonia, da mandioca pelo milho, embora os indígenas da região recusassem esse alimento. Esta, porém, é outra questão.

Da canjica à farinha de milho

Voltando ao trabalho de Rafaela Basso, temos uma análise sutil da documentação, inclusive o esforço demilho1 entendimento dos “silêncios” decorrentes de o milho e as ferramentas relacionadas com a sua transformação (o pilão) não constarem, por exemplo, dos inventários e testamentos.

Inicialmente, no século XVII, a forma de incorporação do milho à dieta lusa será muito semelhante aos usos dos tupi-guaranis, com destaque para a canjica. Lê-se numa fonte: “ajuntando em um prato bananas, batatas, canjica e carne, que então lhe puseram na mesa, misturou tudo de sorte que a confusão dos sabores só podiam concordar em uma quinta essência de mortificação; e para que não faltasse a esta nova iguaria algum acepipe, lhe espremeu um limão, adubando também o azedo desta fruta àquele guisado”.

O milho simplesmente quebrado em diferentes texturas fornece da canjica ao fubá para o angu, passando pela quirera que se ministra aos animais. O pouco valor desse alimento advém justamente disso: alimento de escravos índios ou animais, à qual não se conforma a elite aportuguesada que prefere a farinha de mandioca, mais próxima dos ideias metropolitanos do pão branco.

Sustento parco e vil, rezando as mais das vezes feijão e canjica, guisado especial de São Paulo”, aproxima o colonizador do colonizado. Embora se cultive o trigo, a triticultura não consegue se impor. E teremos, ainda, uma especialização espacial, opondo o planalto à beira mar, “a zona da farinha de mandioca, abrangendo a vertente marítima, e a zona da farinha de milho, que se estende por toda a região de serra-acima”.

Mas a farinha de milho só aparecerá mesmo é no século XVIII, associada às expedições para as minas, como mantimento produzido para essa finalidade, incorporando novas tecnologias no preparo, como os monjolos trazidos de Portugal ou por aqui improvisados. “Lança-se o milho aos pilões a quebrar, e quebrado, que é o mesmo que tirar-lhe o casbabulho de fora, limpo dele, se deita de molho, por cinco ou seis dias em água fria, onde azeda alguma coisa. Passados estes dias, se tira e deita nos pilões, segunda vez, onde se soca, mói e desfaz, e dali tira e lança em uns fornos de cobre ou tachos, onde se torra e fica servido de alimento como pão”.

E desta farinha, que os índios já conheciam mas que adquire impulso econômico na fase da mineração e uso dos monjolos, “enquanto não é torrada se faz cuscuz que nas minas supre a falta do pão de trigo”.

A gastro-sociologia do milho

Talvez o aspecto mais interessante da tese de Rafaela Basso – além da reconstrução documental de um uso para o milho no século XVII e outro no século XVIII – seja o tratamento que dá à inserção do produto ameríndio na culinária dos conquistadores, portadores de uma cultura européia bem distinta.

Converge o milho para usos em ensopados e papas, como as preparações européias, gerando o angu de fubá, o curau, a pamonha… Mas a comida de escravos (angu) não é muito apreciada pelos reinóis; sendo que o milho bem se adapta aos bolos e outros doces e assados, penetrando por essa via na cozinha “branca” pelo receituário europeu. A farinha de milho, o verdadeiro pão da minas, escapará a essa dicotomia e, com feijão e toucinho, comporá o virado paulista, de larga e geral aceitação até hoje.

O gosto, validando uma hierarquia de usos e aceitação, consolida a incorporação do milho na dieta paulista, ao lado de outros produtos, como o trigo e a mandioca. Só ele, porém, favorece o sertanismo, possibilita a mobilidade que é a base da economia local, impondo-se pela praticidade frente à preferência pelo trigo, ou mesmo pela mandioca, ambos produtos mais ligados à vida sedentária das aglomerações urbanas.

A “cultura paulista do milho” que Rafaela procura retratar, se não corresponde exatamente à “civilização do milho” de Sergio Buarque de Holanda, não deixa de ser um refinamento da tese desse historiador, clareando como esse “produto básico e indispensável para a cozinha de São Paulo” fez de um cereal indígena uma conquista definitiva para a civilização ocidental em expansão.

Estudos monográficos como esse, que surgem aqui e ali, desvinculados de qualquer programa sistemático de investigação sobre a culinária, que as nossas universidades deveriam patrocinar, adquirem, por isso mesmo, um valor tremendo. Só através da acumulação deles poderemos, algum dia, parar de papaguear os clássicos.

Empresas que vendem produtos Integrais terão de ser mais transparentes!!!

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Finamente, uma ação pública para deixar a “casa” dos produtos industrializados no Brasil um pouco mais arrumada.

As empresas fabricantes de pão integral, terão até 180 dias para colocar a porcentagem de farinha integral em suas embalagens.

Tal motivação surgiu de promotor Pedro Rubim, da Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva e do Consumidor do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), onde foram observadas diversas denuncias sobre consumidores questionando a quantidade de farinha integral dentro da formulação de seus pães. Eu inclusive já tentei diversas vezes com as marcas supracitadas no artigo e jamais me deram uma resposta exata da quantidade, sempre diziam que tal formulação era segredo devido a receita do produto, tudo isso para mim é desculpa muito das esfarrapadas.

Infelizmente, as empresas se baseiam em uma resolução, a  263/2055, que regulamenta produtos à base de cereais, amidos e fatinhas , realmente, não estabelece quantias mínimas para alegação de que o produto é integral. “Dessa forma, se o produto utiliza qualquer quantidade de farinha integral em sua composição, a rotulagem alegará que há farinha integral em sua formulação”, explica a nota da reguladora.

A questão tomou tanta relevância que já tramita no Congresso Nacional o projeto de lei 5.081/2013, do deputado Onofre Santo Agostini (PSD/SC), que estabelece que para se intitular integral, o produto terá que apresentar em sua composição mais de 51% de grão integrais. O projeto já passou pela Comissão de Desenvolvimento Econômico e Comércio da Câmara dos Deputados, onde teve parecer favorável e ganhou um substitutivo, inclusive com acréscimo sugeridos pela Anvisa, como a ampliação dos parâmetros a outros produtos integrais como bolos, biscoitos, macarrão e até as próprias farinhas. A reguladora também sugere que a lei preveja uma punição por descumprimento. Agora o texto está na Comissão de Defesa do Consumidor, explica o autor do projeto Agostini.

Vamos ver se as empresas cumprem com o prometido!!!