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Rio terá Comissão de Gastronomia

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A Secretaria de Estado de Cultura (SEC), por meio da  Superintendência de Economia Criativa e da Incubadora Rio Criativo está com edital aberto para a instituição da primeira Comissão de Gastronomia do Estado do Rio de Janeiro. Até o dia 19 de julho serão aceitas inscrições para candidatos e eleitores para o processo de eleição online. Serão eleitos 20 representantes da sociedade civil que atuam no campo da alimentação e cultura. O público poderá participar como eleitor, apoiando a candidatura de 10 diferentes segmentos, entre os quais, entidades que atuam com o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA); movimento da sociedade civil que atue com Gastronomia, Comunidade Tradicional e organização do movimento de mulheres.

Para se candidatar a uma das representações, basta informar os dados do titular e suplente, anexar uma foto de cada membro, uma breve justificativa. Já os eleitores, basta informar os dados pessoais.

 Para apoiar nossa candidatura e as demais representações, ou se inscrever como candidato, acesse https://tinyurl.com/y9gzyc25 

A publicação dos eleitores e candidatos habilitados sairá no dia 25 de julho. De 07 a 11 de agosto será o período de votação pelo site da SEC. O resultado será divulgado no dia 15 de agosto. A comissão também será composta por sete representantes do poder legislativo, uma representação do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado (Consea) e uma da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

A instituição da Comissão de Gastronomia é uma das diretrizes do Marco Referencial da Gastronomia como Cultura do Estado do Rio de Janeiro (Lei 7180/2015). A lei tem como Resultado de imagem para comissão de gastronomiaobjetivo abordar a gastronomia como uma política cultural ao dar visibilidade e fortalecer as culturas alimentares regionais, as atividades produtivas, comerciais, educacionais e  artísticas, ligadas pela relação com a comida, a sociedade e o território.

A comissão terá a incumbência de acompanhar as diretrizes da lei, conferir o selo Gastronomia é Cultura e fomentar a Semana da Gastronomia do Estado do Rio, que ocorrerá na terceira semana de setembro.

As informações completas sobre o processo de eleição do edital serão divulgadas durante o lançamento e estarão disponíveis na página da Secretaria de Cultura.

Para conhecer o Marco Referencial da Gastronomia como Cultura, acesse: https://tinyurl.com/ybhly96u

Para saber mais informações sobre o edital, confira o guia com as perguntas mais frequentes: https://goo.gl/ZM31eZ 

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Um Rio de serviços ruins

Matéria que saiu no Jornal O Globo do Gilberto Scofield

English: Copacabana Beach Rio de Janeiro view ...
English: Copacabana Beach Rio de Janeiro view from Sugar Loaf 2010 (Photo credit: Wikipedia)

Gilberto Scofield Jr/O Globo

 

Voltei ao Rio em janeiro depois de nove anos entre as cidades de Pequim, Washington D.C. e São Paulo — nesta última morei três anos — e o tal do distanciamento crítico impôs uma pergunta que me faço todos os dias, desde que botei os pés aqui: por que diabos os serviços são tão ruins no Rio?

É certo que a qualidade dos serviços nunca foi exatamente uma maravilha. Mas, diante dos preços cobrados aos cariocas hoje, esta deficiência se transformou num deboche e numa irritação. Os serviços no Rio são caríssimos e inexplicavelmente ordinários.

Restaurantes cujos garçons não conseguem descrever um prato, bares onde é preciso ser Denise Stoklos para se fazer notar, casas de show incapazes de começar um espetáculo na hora, táxis com motoristas que perguntam antes para onde vai o cliente, balcões de informações com gente que não sabe nada, ônibus que são máquinas de matar, caixas de banco pouco solícitos, caixas de supermercado que jogam suas compras, vendedores de lojas que discriminam, hospitais com técnicos em enfermagem rabugentos.

No Rio, tudo parece tocado pela incompetência ou pela falta de qualidade. Ou os dois juntos. Dia desses, peguei um táxi com o motorista ouvindo um programa religioso. Aos berros. Peço gentilmente ao sujeito que abaixe um pouco o som. E ele: “Mais um sem Jesus no coração”. E eu : “Ele não está no meu coração porque está preso no meu tímpano. O senhor pode baixar o som, por favor?”. Ele abaixou uma coisa ínfima e foi resmungando até chegar ao destino.

No Jobi, o garçom pede uma cadeira vazia na mesa ao lado, ocupada por uma solitária mulher. A ocupante disse que esperava uma amiga, que já estava chegando, mas o garçom garantiu que não tinha problemas, que ele arrumaria outra cadeira. Quando a amiga chegou, a mulher chamou o garçom, mas ele disse que não podia fazer nada. Diante de reclamações indignadas, o garçom apontou a fila na porta: “Se você quiser ir embora, não tem problema. Tem um monte de gente querendo entrar”.

Um amigo vem sofrendo para agendar a entrega de uma estante nova e o conserto da TV a cabo porque as empresas marcam o dia, mas não se comprometem com horário, como se o sujeito tivesse um dia inteiro à disposição.

E há a falta de gentileza. Há coisa de duas semanas, fui à Chocolates Katz do Rio Sul, de que gosto muito, e enquanto bebericava um expresso (R$ 3,80) pedi para provar um cubinho de chocolate extra amargo. Uma delícia. Pedi cem gramas, um potinho de biscoito wafer coberto e a conta. E a atendente: “Vou cobrar seis gramas para incluir o chocolate que o senhor comeu”. Como assim? A prova? Mas se não fosse ela eu não gastaria R$ 35,34 em chocolate!

Um amigo foi ao Cafeína e precisou usar o laptop. Descobriu que a bateria estava acabando e chamou a garçonete: “Você teria uma tomada para eu ligar o meu computador?” E a menina: “Temos, mas o gerente diz que cliente não pode usar”.

Há quem explique essa vagabundagem nos serviços apelando para a História. O Rio sempre padeceu de bons serviços para a população porque sempre foi uma cidade dividida desde a Colônia. Para a elite — os senhores de engenho, a corte, os nobres, os governantes da capital, o topo do funcionalismo, os ricos —, tudo. Para os outros, a resignação. Quem mandou não ser “alguém”? Quem mandou não ter “conexões”? Ou seja: se você frequenta o lugar, é um rei. Se não frequenta, que se vire.

Eu prefiro acreditar nos mais pragmáticos: falta investir em treinamento. O que parece é que uma economia turbinada pelo consumo e por programas de redistribuição de renda saiu contratando quem estivesse disponível para trabalhar. E essa mão de obra simplesmente não foi (não é) treinada adequadamente. Só isso explica um cidadão ir a uma região administrativa da prefeitura e ouvir ali que “é mais fácil ligar para o 1746”.

Uma terceira corrente vê passividade nos cariocas. Para essa gente, o carioca não reivindica e não reclama. Uma cidade cheia de belezas naturais parece ser o suficiente e desculpar todas as falhas. Desde que a cerveja esteja gelada, tudo bem que a mesa é bamba e a cadeira, de plástico.

Está mais do que na hora de mudar isso, não?